Arquivo do mês: janeiro 2012

20 Melhores discos de 2011 (parte 2)

E para terminar a lista dos 20 melhores álbuns de 2011, divulgo aqui os outros dez grandes lançamentos deste ótimo ano que fora 2011 para a música de qualidade.

Destroyer – “Kaput”

Essa é uma banda canadense (como tem banda boa por lá!) que lançou o clipe mais genial do ano, embalado pela música mais transcendental dos últimos anos (no link abaixo, é bom lebrar). A mistura indie/new wave ou Pink Floyd/Morissey que essa banda consegue criar é algo notável. Durante todo o disco podem se notar as mais diversas referências musicais, como os exemplos que dei acima, e isso nos é dado com uma finesse que só os canadenses possuem. Vicia o ouvinte rapidamente, cuidado!

Destaque: Kaput

Gal Costa- “Recanto”

Muito já se comentava e também muito se especulava sobre o que sairia da reedição de uma das parcerias mais importantes da nossa música, a de Caetano Veloso compondo para Gal Costa. A primeira dessas parcerias resultou no importantíssimo “Domingo”, de 1967, e agora nessa volta os dois já alimentavam esperanças no público que o disco não seria qualquer disquinho, que muita coisa renovadora estava sendo posta ali naquele trabalho. Caetano nunca negou sua presunção, e Gal é a parceira perfeita para isso, é uma das mais importantes na carreira do artista, se não a mais. De fato, o disco é muito moderno, mais do que eu esperava, do que todos esperavam. Caetano conseguiu criar uma estética que diáloga com a cultura popular do século em que vive, do tecno brega ao experimentalismo baseado nas maravilhas modernas de estúdios. É muito refinado e transgressor, as letras são um espetáculo, e o lado bom é que muitos ainda esperavam isso de Caetano e Gal, que ainda pudessem reinventar o carnaval. Conseguiram. Ainda são gigantes.

Destaque: Neguinho

Radiohead – “The Kings of Limbs”

Quando esse disco saiu a crítica se dividiu: uns acharam que os caras do Radiohead tinham exagerado nas bizarrices e só estavam enchendo linguiça. Outros, como sempre, elogiaram o trabalho como mais uma gravação genial da banda, na lista dos seus melhores. Teve gente até pensando que a versão do disco lançada na internet antes do lançamento oficial, fosse só uma parte do trabalho, devido ao pouco tempo do álbum. Mas era aquilo mesmo, e parece que as pessoas foram se acostumando com ele, que acabou em várias listas de melhores lançamentos de 2011. A justiça acabou sendo feita e o Radiohead se livrou de um passo em falso. Mas convenhamos, eles já estão calejados e, sabiamente, pouco se importando para o que a crítica vai dizer. Abaixo uma das melhores músicas da banda

Destaque: Lótus flower

Lenine – “Chão”

Leia crítica aqui no blog.

Destaque: Chão

Foo Fighters – “Wasting Light’

Como todo mundo sabe, o Foo Fighters é hoje uma das bandas de rock mais importantes do cenário mundial. Toda essa importância foi contruida ao longo de quase duas décadas lançando bons discos, e reitero o bom. A diferença deste wasting light para o resto da discografia da banda, é que esse não é apenas um bom disco, mas um grande disco! Aquela parcela do público que nunca ficava plenamente convencida com os trabalhos da banda, acabou tendo que se render a esse belo álbum. A banda conseguiu unir guitarras sujas e composições extremamente rockeiras e que ainda assim mantêm a veia radiofônica sempre característica do grupo, só que agora em um nível digno dos grandes . É daqueles discos para se ouvir numa tacada só e no outro dia já sentir aquela coceira para ouvir de novo. E os clipes, bom, esses continuam os mesmos: maravilhosos!

Destaque: White limo 

Pública – Canções de guerra

Essa banda gaúcha lançou seu terceiro disco em 2011 e se manteve como uma das grandes do cenário alternativo. Canções de guera é mais sério, introspectivo e mais “cinza” que os discos anteriores. Os dois clipes lançados pela banda para divulgar esse trabalho, possuem uma atmosfera que convida o ouvinte a entrar nesse clima denso. Acaba conseguindo. Tem a áurea do rock gaúcho, a  cara do inverno gaúcho, e ainda mais universal do que a maioria do que é produzido aqui. A Pública deu mais um passo, extremamente consciente, como tem sido desde o lançamento de seu primeiro disco.

Destaque: Das coisas que eu não fui 

Pj Harvey – “Let England Shake”

O lanaçamento mais bombado do ano! A dama da música, da sujeira, a gata mais sexy do ano! Sim, o disco que mais apareceu nas listas de melhores de 2011 foi da “esquisita” PJ Harvey. Já era de se esperar da mídia dita Cult? Pode ser, mas Adele, Beyonce e Lady Gaga também agradaram parte dessa mesma crítica. Não é o melhor disco da PJ, mas é um trabalho que versa sobre feridas européias ainda abertas, faz uma discussão de caráter histórico e transporta para nossa realidade o que foram as guerras em que a Europa esteve presente. Trabalho para poucos artistas poderem fazer.

Destaque: The words that maketh murder

Chico Buarque – “Chico”
Leia crítica aqui no blog.

Destaque: Nina

Artic Monkeys – “Suck it and see”

O melhor disco desta ótima banda. Produzido por James Ford, que acabou tornando o álbum ora pesado, bem pesado, ora leve, quase folk, á la rock n roll dos anos 50 e 60. Mais rico e  instigante do que o som mais básico que era marca do Artic Monkeys. Eles já provaram que passaram de uma banda queridinha da crítica para o patamar das grandes bandas surgidas após os The Strokes.

Destaque: Don’t sit down cause i’ve moved your chair 

In Flames – Sound of a playground fading

Não é de hoje que estes suecos são responsáveis por discos inovadores dentro de um estilo de heavy metal que eles ajudaram a construir. Com este último álbum a banda deu continuidade a esta ótima tradição. “Sounds of …” consegue sintetizar de maneira muito interessante o que tinha se tornado o som do In Flames, as composições já não eram mais tão rápidas e as melodias de guitarras não eram mais tão marcantes, outrora a marca maior do grupo. O som apresentado aqui continua pesado, como sempre foi, continua muito melodioso (as guitarras não são mais protagonistas) e a inventividade ainda marca presença forte, ou seja, a estética mudou, mas o espírito se mantém intacto. O In Flames provou se sabe se reinventar e ainda dá um caldo, dos bons.

Destaque: Deliver us

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Os 20 melhores discos de 2011

Bom, é de praxe todo apaixonado por música cair no clichê de ficar fazendo suas listas pessoais e comparando com a de outras pessoas ou críticos. Eu fiz a minha, que na verdade não é a lista dos 20 melhores, mas dos 20 que eu ouvi e mais gostei. Tem muito trabalho bom que saiu ano passado, figurou em muitas listas por aí mas que eu não pude escutar. Inclusive acho muito estranho as publicações especializadas em música divulgarem suas listas de melhores do ano em novembro. E os discos que saíram em dezembro, como ficam? Para que a pressa?

Fica aí a minha lista e dicas para escutarem os lançamentos de 2011 que primaram pela altíssima qualidade. Se em 2012 for melhor, o fim do mundo pode ter uma grande trilha sonora.

Lembrando que não está em ordem de qualidade, a lista é totalmente aleatória. Aí vão os primeiros dez. Semana que vem tem mais.

Björk – “Biophilia’

Tal qual a estranheza dos lançamentos dessa islandesa, está a inegável capacidade de soar sempre única. Não me lembro de nenhum disco ruim da Björk, e esse mantém a tradição. Talvez seu trabalho mais pretensioso, por ter saído em vários formatos de mídias, e por carregar fortes conceitos estéticos e que necessitam de várias explicações. É um disco muito complexo e que exige uma concessão do ouvinte, que está cada vez mais difícil de ter hoje em dia. É preciso se deixar levar. Assista ao fantástico clipe no link abaixo e tenha uma idéia melhor.

Destaque: Cristaline 

 

Tuneyards – “Who Kill”

Talvez o grupo mais inventivo, louco (no melhor sentido da palavra) e inclassificável do ano. A mistura de sons capitaneada pela soberba Merrill Garbus funciona de forma perfeita e caótica. Do mais singelo som de ukulele à distorção gritante do saxofone e os agudos roucos e potentes de Merril, é impossível ouvir esse disco de forma indiferente. Acaba sendo inevitável a pergunta “o que é isso que está tocando?” já na primeira faixa do álbum. Para quem quer ouvir algo que nunca ouviu antes e se surpreender em saber que tem muita música boa sendo feita por aí.

Destaque: Bizness

 

Karina Buhr – “Longe de onde”

Leia crítica aqui no blog.

 

 

Destaque: Carapalavra

 

Esben e The Witch – “Violet cries”

Aqui o papo é mais sério e um pouco assustador. Quem diria que o disco mais denso, mais assustador e mais perturbador desta lista seria de uma banda indie? Talvez nesta estranheza e surpresa inicial resida um pouco da receita para essa ímpar experiência que é a audição deste trabalho. Indicado para quem quer viajar pelos caminhos obscuros do consciente. Não é algo que se deva fazer toda hora, mas de vez em quando é necessário e aqui está a trilha sonora.

Destaque: Marching Song

 

Ana Calvi – “Ana Calvi”

A grande revelação do ano! Dona de uma técnica apuradíssima na guitarra e uma personalidade intensa, Ana consegue demonstrar através de sua música, carregada de climas pesados, as turbulências psicológicas que só a mente feminina é capaz de transitar. Nenhuma música lançada em 2011 consegue ser mais envolvente e sexy do que Suzane and I. Para ouvir imaginando um filme de David Lynch e se deixar levar por caminhos sombrios, mas inegavelmente belos. Uma das compositoras mais promissoras a aparecer nos últimos anos!

Destaque: Suzane and I 

 

 Criolo – “Nó na orelha”

O destaque nacional do ano foi esse cara, sem sobra de dúvidas. Todo mundo falando dele. Fez por merecer? Sim, e não precisa muito para chegar a tal conclusão. O trabalho apresentado por Criolo é digno de alguém que entende do riscado.  Tem rap, samba, trip-hop, reggae, soul e bolero, todos ritmos negros, seja da parte do mundo que for, e que encontram nesse belíssimo disco um porta voz sincero e talentoso do que é a música negra e como ela pode se transformar na mão de quem a conhece e sabe como sintetizá-la de maneira sublime . Discaço!

Destaque: Grajauex

 

BonIver – “Bon Iver”

Segundo álbum deste grupo dos Estados Unidos, e já foi o suficiente para mostrar uma banda detentora de uma imensa capacidade criativa e identidade forte. Foi um dos destaques nas listas de melhores do ano em sua terra natal e também na Europa. O som dos caras é uma mistura que em alguns momentos é extremamente psicodélico, em outros progressivo, passando por melodias mais simples e acertadamente pop. As músicas praticamente não tem refrãos e mesmo assim são capazes de prender o ouvinte e  levá-lo pra muito longe, mas não se estendem por intermináveis solos e viagens despropositadas. Uma maturidade adquirida cedo e quase uma garantia de ótimos futuros lançamentos dessa brilhante banda.

Destaque: Calgary

 

The Black Keys – “El Camino”

Leia crítica aqui no blog

 

 

Destaque: Gold on the ceiling

 

Adele – “21”

A mais nova diva do pop, mas daquelas que vale a pena escutar. Após o buraco deixado por Amy Winehouse nesse pequeno universo de qualidade que existe na música pop, Adele apareceu com um disco extremamente redondo, preciso e de muito bom gosto, agradou ao público em cheio e à crítica idem.  Não tem quem não tenha enjoado de ouvir Rolling in the deep, mas sempre acaba ouvindo de novo e gostando. Um disco extremamente acessível e igualmente belo. Não se deixe levar pela exposição exaustiva que esse disco teve, pode estar perdendo de aproveitar uma grande artista em seu pleno ápice e ainda em desenvolvimento.

Destaque: Rumor has it

 

Pain of Salvation – “Road salt two”

Esta é a segunda parte de um disco muito corajoso. Road Salt já demonstrava que os caminhos a seguir seriam outros para o P.O.S, estavam de certa forma dando adeus ao Heavy Metal. Nesta segunda parte, o espírito pesado do grupo volta a dar as caras, não em distorções, mas em densidade. É um trabalho mais emocional, muito mais climático que seu antecessor, e talvez por isso não consiga dar um passo a frente no caminho a uma audiência maior, e continue restrito ao público que está ligado no que tem de melhor no cenário Heavy Metal mas também busca o que está disposto a ir além. Uma pena não ter a atenção devida, mas não por isso deixa de ser um maravilhoso trabalho.

Destaque: 1979